EBC 2026 brings together science and innovation in brewing in Rotterdam

The 40th European Brewery Convention Congress, held in Rotterdam from 6 to 9 September 2026, brought together researchers, brewing professionals and technology suppliers to discuss the scientific and technical developments currently reshaping the beer industry.

No- and low-alcohol beers were among the most prominent subjects. Presentations addressed microbiological safety, ageing, dealcoholisation, aroma enhancement through yeast biotransformation, low-level alcohol measurement and the challenge of preserving flavour and sensory quality.

Sensory science was another central theme, with studies on glassware and taste perception, retronasal aroma release, off-aroma formation and reduction, beer stability, and interactions between malt, yeast, hops, proteins and volatile compounds.

The programme also demonstrated the growing role of advanced technologies in brewing. Artificial intelligence was applied to consumer-preference data and rapid barley-quality assessment, while CRISPR-Cas9, directed evolution, yeast hybridisation, multispectral analysis and new microbiological detection methods illustrated the increasing integration of biotechnology and analytical science.

Sustainability was addressed through water-footprint reduction, climate-resilient barley, locally adapted hops, energy-efficient brewing, non-thermal processing and the electrification of malt production. These discussions showed that decarbonisation and resource efficiency are becoming practical industrial priorities.

Beer-Learning participated with the poster In silico evaluation of the binding of hop flavour compounds to beer proteins, by Julio Machado Jr. and José Soares. The study suggests that beer lipid transfer proteins may retain hop aroma compounds at different levels, potentially affecting aroma persistence and sensory stability.

Overall, EBC 2026 presented an industry increasingly focused on producing more sustainable, technologically advanced and sensorially consistent beers while responding to changing consumer expectations.


EBC 2026 reúne ciência e inovação cervejeira em Roterdão

A 40.ª edição do European Brewery Convention Congress destacou cervejas sem álcool, qualidade sensorial, novas tecnologias, sustentabilidade e o papel das interações moleculares na construção do aroma da cerveja.

Entre 6 e 9 de setembro de 2026, Roterdão recebeu a 40.ª edição do European Brewery Convention Congress, um dos principais encontros técnico-científicos do setor cervejeiro europeu. Realizado no Postillion Hotel and Convention Centre WTC Rotterdam, o congresso reuniu investigadores, profissionais da indústria e fornecedores de tecnologia para discutir desafios que já estão a transformar a produção, a qualidade e a experiência sensorial da cerveja.

A Beer-Learning esteve presente nesta edição com a apresentação do trabalho “In silico evaluation of the binding of hop flavour compounds to beer proteins”, desenvolvido por Julio Cesar Machado Junior, da Beer-Learning, e José Soares, da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto. A participação reforça uma dimensão central do nosso trabalho: aproximar investigação científica, formação técnica e aplicação prática no setor cervejeiro.

Uma agenda marcada pelas mudanças do setor

O programa mostrou uma indústria que procura responder simultaneamente às exigências do consumidor, à eficiência produtiva e à sustentabilidade. As cervejas sem álcool e de baixo teor alcoólico ocuparam um espaço expressivo, com trabalhos sobre qualidade microbiológica, envelhecimento, tecnologias de desalcoolização, biotransformação por leveduras, reforço aromático e medição de baixos níveis de álcool.

A qualidade sensorial apareceu como um tema transversal. Foram apresentados estudos sobre o efeito das características do copo na perceção do sabor, a libertação retronasal de aromas, a formação e redução de off-aromas, a estabilidade durante o armazenamento e as interações entre maltes, leveduras, lúpulo e compostos voláteis. Uma das apresentações da sessão de encerramento, registada também nas fotografias do evento, mostrou como frações de elevada massa molecular da cerveja podem interagir com odores indesejáveis, utilizando espectroscopia de ressonância magnética nuclear para visualizar essas relações.

A inteligência artificial também deixou de surgir apenas como promessa. O congresso incluiu aplicações em mineração de dados de preferência do consumidor e na avaliação rápida da qualidade da cevada para malte. Em paralelo, tecnologias como CRISPR-Cas9, evolução dirigida, hibridação de leveduras, análise multiespectral e novos métodos de deteção microbiológica ilustraram a crescente integração entre biotecnologia, química analítica e produção cervejeira.

Lúpulo aroma e proteínas da cerveja

O trabalho apresentado pela Beer-Learning investigou, por simulação computacional, a capacidade de proteínas de transferência de lípidos, conhecidas como LTPs, de se ligarem a compostos aromáticos provenientes do lúpulo. Estas proteínas, presentes na cerveja e associadas a atributos como espuma e turvação, podem também funcionar como reservatórios de moléculas voláteis, influenciando a forma como o aroma é retido e libertado.

O estudo avaliou 22 compostos do lúpulo e quatro estruturas de LTP provenientes de cevada e trigo, recorrendo ao AutoDock Vina e ao PyMOL. Os resultados indicaram modos de ligação semelhantes entre diferentes subtipos e origens das proteínas. Os sesquiterpenos β-cariofileno e α-humuleno apresentaram as afinidades previstas mais elevadas, próximas de −12 kcal mol⁻¹, enquanto pequenos ésteres, como o isobutirato de etilo, mostraram menos afinidades (valores próximos de −4 kcal mol⁻¹).

Em termos práticos, os resultados sustentam a hipótese de que a composição proteica dos maltes de cevada e trigo pode interferir na persistência do aroma do lúpulo, sobretudo no caso de moléculas maiores e hidrofóbicas. Esta relação poderá tornar-se uma ferramenta de formulação e controlo da estabilidade sensorial. Por se tratar de docking molecular, os resultados identificam interações plausíveis, que deverão agora ser validadas experimentalmente. Entre os próximos passos estão medições de libertação aromática por headspace e SPME, variando pH, temperatura e concentração proteica.

Da investigação à produção sustentável

A sustentabilidade esteve igualmente presente em várias escalas: adaptação da cevada às condições climáticas extremas, desenvolvimento de lúpulos ajustados às condições portuguesas, redução da pegada hídrica, produção em alta densidade, salas de brassagem com emissões reduzidas e eletrificação da maltagem. A apresentação sobre a primeira maltaria de emissão zero em operação mostrou que a descarbonização já começa a ser tratada como engenharia industrial concreta.

O programa incluiu ainda abordagens à eficiência enzimática, controlo do hop creep, tecnologias não térmicas para segurança microbiológica, novos agentes clarificantes de origem vegetal e estratégias para manter qualidade e sabor em processos com menor consumo de recursos. As visitas técnicas às cervejeiras de Roterdão completaram a ligação entre conhecimento científico, realidade industrial e cultura cervejeira local.

Conhecimento que regressa ao setor

Mais do que apresentar resultados, participar no EBC 2026 permitiu acompanhar de perto as perguntas que orientam a ciência cervejeira atual e trocar experiências com investigadores e profissionais de diferentes países. As fotografias registam tanto as sessões científicas e as apresentações rápidas de pósteres como os momentos de encontro e contacto com a cena cervejeira de Roterdão.

Para a Beer-Learning, este conhecimento regressa aos cursos, consultorias e projetos desenvolvidos com produtores, distribuidores e profissionais de serviço. A ciência ganha valor quando ajuda a compreender melhor a cerveja e a tomar decisões mais consistentes — da matéria-prima ao copo.


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